24 abril 2017

Resenha: A Menina Que Roubava Livros - Markus Zusak


Editora: Intrínseca
Autor(a): Markus Zusak
Título Original: The Book Thief
Páginas: 478
Skoob  

A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, porém surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente - a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los em troca de dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. Essa obra, que ela ainda não sabe ler, é seu único vínculo com a família. Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a cumplicidade do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que a ensina a ler. Em tempos de livros incendiados, o gosto de roubá-los deu à menina uma alcunha e uma ocupação; a sede de conhecimento deu-lhe um propósito. A vida na rua Himmel é a pseudorrealidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um jovem judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela história. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa desse duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto.


" Vi três vezes a menina que roubava livros."
“ A menina que roubava livros” escrito pelo Markus Zusak é a prova impar que alguns livros tem um momento certo para ser lido. Anos atrás, não consegui ler mais de dois capítulos, impulsionada pelo filme sensacional, me entreguei a narrativa da Morte e compreendi o amor que muitos tem.


O livro é narrado pela Morte, em terceira pessoa, de forma inusitada e diferente conhecemos Liesel, uma menina que a morte encontrará em vários momentos. Ela é afastada de sua mãe durante a Segunda Guerra Mundial e acaba, num momento triste de sua vida, se vendo cercada de situações complicadas. Uma mãe que não é sua e ríspida, agressiva, um pai que é bondoso, uma escola assustadora para quem não sabe ler e um amigo que será a sua melhor companhia, Rudy.
" Viu? Até a morte tem coração."
Demorei a me conectar com a história, as primeiras 100 paginas de um bairro pobre, numa Alemanha nazista é visto de uma forma diferente pelos olhos de Liesel. Quando ela começa a trabalhar na sua leitura, foi conexão imediata, lembro com a clareza a alegria aos seis anos de conseguir ler, de aprender e de ficar encantada – como sou até hoje com o poder das palavras. Uma das grandes reflexões do livro, através de metáforas, é poder das palavras, como elas agridem, dominam, alegram, emocionam. Hitler era um bom exemplo de como usar as palavras para dominar um povo.
"Nesta noite, Liesel Meminger transformou-se verdadeiramente na menina que roubava livros."

E então, ela se torna uma ladra de livros na ânsia de ter mais dessas palavras que a fascinam. E ela tem um fiel escudeiro, Rudy, um menino que é meio apaixonado por ela. Eu adoro tanto o relacionamento de amizade dos dois nesse livro, e o retrato no filme foi bem similar.
" A única coisa pior que um menino que detesta a gente. Um menino que ama a gente."
Além disso, temos Max, o judeu, que sua família acoberta e que se torna um grande amigo dela. Gosto tanto desse relacionamento sem preconceitos entre os dois.
O livro fala de preconceito, traz a sombra da guerra em suas páginas, nos brinda com palavras, emoções, e inúmeros sentimentos entre todos os personagens. Os relacionamentos evoluem e crescem, modificam-se, como com seus pais adotivos, seus amigos, e outros tantos acasos.

"(...) os humanos tem bom senso de morrer."
Com sua narrativa lenta e poética, Markus Zusak nos brinda com uma narrativa singular de como Liesel esbarrou com a morte e de como a morte parecia estar em todos os lugares durante a Guerra. “ A menina que roubava livros” é acima de tudo uma história sobre o poder da palavra e da história – da humanidade e ficcional.

" Uma última nota de sua narradora: Os seres humanos me assombram."

5 comentários:

  1. Faz um bom tempo que li esse livro e fiquei simplesmente apaixonada. Gostei do filme também!

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  2. Oi
    Eu li esse livro há alguns anos e chorei muito, fiquei comovida com a história, o mesmo se diz sobre o filme, também chorei, das raras vezes que fui ao cinema, pois não curto cinemas. eu concordo com você, leitura também tem seu tempo.

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  3. Esse livro é muito bom! A história é envolvente do começo ao fim. Assisti o filme, também!! Ótima resenha!
    Bjos,
    http://contosdacabana.blogspot.com.br/

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  4. Também acredito que livros tem hora certa para serem lidos.Alguns eram intragáveis para mim mas hoje em dia os devoro. Eu sempre ouvi falar desse livro, e do filme também lançado, mas eu não tinha ideia de como ele era interessante. Achei muito curioso ter sido ditado pela morte hahaha Amo livros relacionados à época do nazismo e os judeus tentando sobreviver. É uma temática maravilhosa, triste e cativante.
    www.rumorandhorror.blogspot.com.br

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  5. Sou louca para ler esse livro desde o dia que vi o filme. Com o filme eu fiquei tão emocionada e tão absorvida que eu imagino que o livro deve ser muuuuito melhor. Adoro histórias narradas e qualquer coisa que envolva segunda guerra mundial. Vou atrás de um em algum sebo aqui da minha cidade.

    O Mundo de Eulália

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