20 setembro 2013

Resenha: O Livro da Loucura e das Curas - Regina O'Melveny



Editora: Novo Conceito
Autor(a): Regina O' Melveny
Título Original: The book of madness and cures
Páginas: 350


Meu pai se fora, meu marido morrera e meu coração silenciara. Gabriella Mondini é uma médica com estranhos poderes de cura, poderes que vão além de seus conhecimentos científicos. No fim do século 16, uma mulher médica — e tão sensível quanto ela — é praticamente uma heresia. Assim, se quiser continuar praticando a medicina, deverá ter o aconselhamento de um homem.Seu pai, também médico, seria o conselheiro ideal, mas ele a abandonou há dez anos: saiu em busca de curas inimagináveis por uma Europa cheia de crendices e magias. E, agora, por meio de suas poucas cartas, é possível perceber que sua sanidade mental está desaparecendo.
Disposta a reencontrar o pai e, quem sabe, salvá-lo a tempo de continuar praticando a medicina, ela atravessa os Alpes da Suíça e os campos da Alemanha, encontra-se com os maiores médicos da Europa e caminha por cidades e vilarejos estranhos até chegar ao Marrocos.
A jovem médica enfrentará caminhos que lhe ensinarão o que é viver no mundo dos clínicos e herboristas daquela época; um mundo onde as praças públicas exalam cheiro de corpos queimados, onde ervas exóticas destroem todos os desejos e onde doenças como a Inveja (“um verme invisível”) saem do corpo dos mortos para destruir os vivos...
Até o fim de sua aventura, ela tentará conquistar a sabedoria tão desejada, mas também terá que lidar com o conhecimento dos segredos de sua família, que são, afinal, os seus próprios segredos.




O livro da loucura e das curas é de longe um dos livros mais poéticos em prosa que já li. O livro nos apresenta Gabriela Mondini, uma médica do século XVI que possui um pai também médico, Ernesto Mondini. O livro se passa dez anos após a partida de seu pai, quando Gabriela resolve ir atrás dele junto com seus servos, Olmina e Lorenzo. O livro nos oferece diversas facetas em uma única narração.

“(...)Havia mais coisas sobre ela, talvez, que eu não soubesse.”




Em primeiro, Gabriela. Ela é de longe uma das mais complexas e interessantes personagens que tive o prazer de ler, apesar de não concordar com algumas de suas atitudes, sua personalidade forte, destemida, irônica, corajosa, doce, meiga, sensível, se mostrou uma inesgotável  fonte de surpresas. Gosto da forma como ela segue a vida, com uma exceção para os amores que aparecem, e o quanto ela é capaz de ser sensível aos demais.

“Também acreditava, me meu coração de criança, que o mundo queria cada um de nós de alguma forma.”

E de longe um dos maiores destaques do livro é o amor de Gabriela pelo pai, que beira a adoração de tão fervorosa e profunda, ao ponto dela viajar por meses em sua busca. É estranho que um personagem que não aparece no livro com exceção das cartas,das lembranças de Gabriela, e do fim ser tão vivo quanto qualquer outro. Seu pai é um homem inteligente, forte e perspicaz, e mesmo assim, nos entristecemos ao ver todas essa genialidade definhar em uma doença e em uma loucura que o transforma em um homem irreconhecível.

“Uma mente perturbada não significa loucura.”

Além disso, Gabriela e seu pai tinha uma paixão que os unia e razão para o imenso ciúme de sua mãe: a medicina. E juntos construíam uma livro de doenças e curas, e é estranho de lermos a medida que naquela época, as doenças possuíam um cunho mais sentimental, psicológico e emocional, não necessariamente físico e talvez, o pior é que muitas daquelas doenças fazem algum sentido.

E a cereja do bolo é de longe a indescritível viagem que ela faz. Tenho lido muitos livros com essa temática e tenho adorado. É incrível a descrição poética, que nos guia por cheiros, sonhos, temperaturas e pelos inúmeros lugares que ela passa. Além das pessoas, simples, estudiosos, médicos, filósofos e suas aprendizagens.

O final do livro não foi de longe previsível, em função das inúmeras reviravoltas, necessárias ou não, que a autora dava. Toda vez que a história estava ficando morna, ela nos surpreendia com um novo fato.
Regina O’ Melveny me surpreendeu por sua escrita e desejo ler muito em breve outros títulos da autora.

“Ela pode ser sua carne, mas não é sua filha.” 
“Quando uma aventura sensata se torna tola? Quando a devoção de uma filha torna-se uma obsessão inconveniente?”

3 comentários:

  1. Oiee, tudo bem, flor?

    Nossa, o seu é o segundo blog que visito hoje e que tem uma resenha deste livro huahuahua. Acho que é um complô pra eu comprar e ler =P. Gosto de livros que dão reviravoltas e que não são previsíveis. Acho que isso contribui para a história ser ainda mais original. Esse livro é de época também e eu adoro livros assim *-* Mas algo nele, não sei dizer exatamente o que, não me chamou a atenção a ponto de querer comprar =(

    beijos
    Kel
    porumaboaleitura.blogspot.com

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  2. Bom parece ser um livro muitoo bom por causa do titulo mais enfim não mi deu vontade de ler não...
    mais a historia em si parece ser legal e um livro de época que ja mi deixa mais assim "vai ser legal?"
    não sei talvez???

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  3. Estou Amando Ler esse , livro inclusive ótima resenha ^^

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Obrigada por lerem! Comentem e deixem seus blogs, vou visitar com toda certeza, e voltem sempre.

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